Iceberg gigante, do tamanho do DF, pode se desprender da Antártida

Foto: Nasa

Rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu 18 km no mês passado, o que pode fazer com que um bloco de gelo de 5 mil km² se desprenda.

Uma fenda, que vinha se desenvolvendo lentamente na plataforma de gelo Larsen C na Península Antártica nos últimos anos, expandiu-se abruptamente no mês passado, crescendo cerca de 18 km; apenas 20 km impedem que ela se desprenda

Alister Doyle ,
Reuters

Um iceberg gigante, que se acredita ser um dos maiores já registrados, de uma área equivalente à do Distrito Federal, pode se desprender, a qualquer momento, da Antártida. 

Uma fenda, que vinha se desenvolvendo lentamente na plataforma de gelo Larsen C na Península Antártica nos últimos anos, expandiu-se abruptamente no mês passado, crescendo cerca de 18 km. Agora, ela alcançou mais de 80 quilômetros de extensão. Um trecho de apenas 20 km de distância impede que o bloco, de mais de 5 mil km², pouco menor que a área da capital brasileira, se desprenda.

“A plataforma de gelo Larsen C na Antártida está prestes a verter uma área de mais de 5.000 quilômetros quadrados, após um crescimento substancial da brecha”, disseram cientistas do Projeto Midas da Universidade de Swansea, no País de Gales, em um comunicado.

O iceberg, dizem os pesquisadores, “mudará fundamentalmente a paisagem da Península Antártica” e poderia anunciar um rompimento mais amplo da plataforma de gelo de Larsen C.

Foto: Nasa
Imagem da Nasa mostra a gigante rachadura que pode fazer com que o bloco de gelo se desprenda de plataforma na Antártida

As plataformas de gelo são áreas de gelo flutuando no mar, de várias centenas de metros de espessura, localizadas no final das geleiras.

Os cientistas temem que a perda dessas plataformas ao redor do continente congelado permita que as geleiras do interior deslizem mais rapidamente em direção ao mar à medida que as temperaturas sobem devido ao aquecimento global, elevando o nível do mar.

Várias plataformas de gelo racharam no norte da Antártida nos últimos anos, incluindo a Larsen B, que se desintegrou em 2002.

Andrew Fleming, gerente de sensoriamento remoto do British Antarctic Survey, que também monitora a Larsen C, disse que o gelo estava derretendo tanto por causa do ar quente quanto pela água abaixo da plataforma.

Em alguns casos, grandes icebergs simplesmente flutuam em torno da Antártida por anos, causando pouca ameaça à navegação marítima enquanto derretem. Mais raramente, icebergs seguem à deriva a distância tão longe como a América do Sul.

“A Larsen B quebrou como um vidro de segurança de carro em milhares e milhares de peças. Ela desapareceu no intervalo de cerca de uma semana”, disse ele à Reuters.

O ano passado provavelmente foi o mais quente registrado na história por uma larga margem, por conta do processo de mudanças climáricas   alimentado pelas emissões exageradas de gases de efeito estufa e de um forte El Nino, que liberou calor do oceano Pacífico, informou na quinta-feira o Serviço de Mudanças Climáticas da Copernicus, da União Européia.

Em novembro, quase 200 nações reafirmaram planos para combater a mudança climática como um “dever urgente”, preocupadas com o que pode ocorrer com os EUA uma vez que o presidente eleito Donald Trump já disse que tentará desfazer o acordo global duramente conquistado para limitar as emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Estadão