Saldo positivo: COP22 termina com avanços e maiores comprometimentos

By 22 de novembro de 2016Destaque, Notícias Nacionais

Encontro abriu caminho para a criação de regras para Acordo de Paris – © WWF-Brasil

Nesta sexta-feira, após duas semanas de intensas negociações, terminou a 22ª Conferência da ONU para o Clima (COP22). O encontro teve como tônica a reafirmação dos compromissos feitos no final de 2015 e abriu caminho para a criação de regras para implementação do acordo e aceleração da ação climática.

De acordo com Manuel Pulgar-Vidal, líder da Prática de Clima e Energia da Rede WWF, o trabalho de Marrakesh não foi o mais glamoroso, mas representa um passo-chave na reação em cadeia necessária para implantar o Acordo. Além disso, o compromisso dos países passou em seu primeiro teste de tensão esta semana com os resultados das eleições dos Estados Unidos. “De forma inequívoca, os países reafirmaram que estão nisso para o longo prazo”, comenta.

Um dos pontos fortes do encontro foi a adoção do Comunicado e da Visão de Marrakesh pelo Climate Vulnerable Forum, em que o grupo, formado por cerca de 50 países, se comprometeu a rever e melhorar seus objetivos atuais de redução de emissões em 2018 e mudar para 100% de energia renovável até 2050 ou antes. O fato dos países terem concordado com um balanço do progresso em dois anos e fazer todos os esforços para voltar com metas e planos mais ambiciosos antes de 2020 foi outro resultado destacado.

Já adaptação e capacitação, apesar de terem sido tema de alguns anúncios, ainda precisam de mais ações efetivas e urgentes. “Esperamos ver o desenvolvimento dos países desenvolvidos em termos de financiamento e outros tipos de apoio além das atuais projeções”, comentou Vidal-Pulgar acrescentando que está bastante animado com o aumento da cooperação Sul-Sul por parte da China e de outros países.

No caso do Brasil, o principal desafio é a implementação acelerada das metas do Acordo, que prevê ações nas áreas de desmatamento, agricultura de baixo carbono e aumento da participação de energias alternativas renováveis, entre outras.

De acordo com o coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, o veto presidencial ao incentivo a carvão divulgado hoje é bom indicativo de que o país está comprometido com os compromissos com que se prometeu, porém, não podemos esquecer que as ações precisam ser urgentes e firmes.

“Se quisermos cumprir com uma contribuição justa para o Acordo, é essencial buscarmos de forma urgente uma geração 100% renovável, fim do desmatamento e a implementação efetiva de uma agricultura de baixo carbono”, comentou Nahur acrescentando que este foi um dos temas em que o Brasil teve um grande protagonismo especial durante o encontro.

“O nosso país já possui mecanismos e tecnologias de implementação de uma agricultura de baixo carbono. O que ainda precisamos aprimorar é que a agricultura no Brasil tenha como premissa básica o baixo carbono. Esse seria um grande diferencial dos produtos brasileiros no mercado internacional e facilmente implementado se adequarmos o plano Safra – por exemplo – a critérios de baixa emissão”.

A respeito das próximas ações, no dia 30 deste mês, o país anunciará o novo balanço do desmatamento na Amazônia e lançará o sistema de monitoramento do Cerrado. “Esperamos que o encontro em Marrakesh impulsione os próximos passos também no cenário brasileiro”, finaliza.

Fonte: WWF Brasil