Sociedade civil é essencial para implementar Acordo de Paris para o clima, dizem negociadoras

clima

Derretimento das calotas polares está acelerando na Groenlândia. Foto: ONU/Mark Garten

Por trás do trabalho dos governos, outros atores como empresários, cidadãos e organizações não governamentais têm papel crucial na implementação do Acordo de Paris para o clima, disseram as negociadoras para o pacto Laurence Tubiana e Hakima El Haité na terça-feira (8) em Marrakesh, onde ocorre a conferência das Nações Unidas conhecida como COP22.

Tubiana, que é negociadora francesa para o combate às mudanças climáticas, e El Haité, ministra marroquina do Meio Ambiente, foram indicadas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) em Paris no ano passado (COP21). Durante a conferência no ano passado, os países fecharam acordo para combater as mudanças climáticas e intensificar ações e investimentos para um futuro de baixo carbono e para a adaptação aos crescentes impactos do fenômeno.

As duas negociadoras foram encarregadas de lembrar o chamado promovido na COP21 e levar adiante a ideia de que é necessário mobilizar uma ação climática mais forte e mais ambiciosa por todas as partes para que os objetivos do pacto sejam atingidos.

Na semana passada, quando o acordo entrou em vigor, em 4 de novembro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, promoveu na sede das Nações Unidas em Nova York uma reunião especial com representantes da sociedade civil, agradecendo-os por sua coragem, persistência e liderança no Acordo de Paris, e pediu que “mantivessem a luta” para pedir ações dos governos.

Tubiana e El Haité detalharam uma agenda para impulsionar ação cooperativa entre governos, cidades, empresas, investidores e cidadãos para cortar as emissões rapidamente e ajudar nações vulneráveis a se adaptar aos impactos do clima e construir um futuro de energia limpa e sustentável.

Elas também lançaram um processo consultivo com o objetivo de buscar visões de governos e atores não estatais. Durante a COP22, estão ocorrendo debates temáticos sobre florestas, água, cidades, energia, transporte e agricultura.

“Paris foi sobre impulsionar, entusiasmar e garantir apoio político. Agora a questão é como implementar e como conduzir uma corrida contra o tempo”, disse Tubiana durante coletiva de imprensa em Marrakesh sobre o lançamento da agenda de ação global para mobilização de atores não estatais.

El Haité enfatizou que 80% das decisões sobre ações climáticas são implementadas por atores não estatais. “É muito importante que todos nós reconheçamos que os atores não estatais já estão se movendo e que há muitas ações, iniciativas e coalizões que são muito ativas”, disse.

“É a primeira vez que estamos construindo parcerias reais entre atores não estatais e estatais”, disse. “Acreditamos ser muito importante ter essas parcerias. Por muitos anos, construímos muros entre os negociadores e as partes, e o mundo real e os atores não estatais. Agora é a hora e construir pontes entre eles”.

Saiba mais sobre:

Fonte: ONUBR