Teoria das Filas x Resíduos Sólidos

By 29 de setembro de 2016Artigos, Destaque, Notícias

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Claudio Telles

ACADÊMICOS:

  • Claudio Telles de Almeida
  • Deivid Luiz de Mello Marques
  • Hestevan Araujo Gonçalves
  • Humberto Gonzaga Telles
  • Luis Carlos Troina Brinkerhoff
  • Thiago Borges Siqueira

ORIENTADOR (A)

Caroline M. Padilha

1. INTRODUÇÃO

A simples prestação de serviços ou a produção de um determinado produto, não garante sucesso e lucro a uma empresa. Processos gerenciais precisam ser desenvolvidos e aplicados, afim da consolidação de uma marca, como excelência no mercado, seja através da produção e/ou industrialização de um produto no seu segmento, ou cumprimento de um contrato onde operações pre-elencadas estejam no escopo do mesmo, fazendo com que em situações especificas como concessões possam ser renovadas conforme legislação.

Os processos de limpeza urbana, sejam eles de varrição de vias e coleta de resíduos domiciliares, não fogem a regra de satisfação do cliente, e para isso fatores importantes como         volumes produzidos de resíduos devem ser observados, para que com isso os gestores dos processos não deixem que gargalos nos processos, comprometam todas as operações.

            Esses gargalos operacionais, podem ser evidenciados com base na teoria das filas, de modo que com o estudo estatístico seja possível provar que os gargalos operacionais, afetam consideravelmente a operação.

            Esses fatores que possam comprometer as operações, apresentam-se de diversas maneiras, seja em um comercio pela falta de atendentes e em uma indústria pela falta de capacidade para produção necessária, fazendo com que colaboradores sejam contratados ourevamps[1] realizadas.

            Não diferente do comercio e da indústria, as empresas de limpeza urbana, tentam evitar estes gargalos operacionais, com suas equipes realizando horas extras ou com a formação de novas equipes. As tomadas decisões para manter o atendimento ao cliente neste caso, podem ser baseadas na teoria das filas, onde os números de gargalos e os períodos dos mesmos são observados, fazendo com que as relações custo benefícios sejam observadas.

            O presente trabalho visa um estudo dos gargalos no processo de coleta de resíduos sólidos domiciliares, através da teoria das filas.

[1] Revamps – expressão oriunda do inglês revamp, que significa em tradução livre renovar, remontar ou reforçar. Termo utilizado na indústria, em especial petroquímica quando uma planta de processo tem capacidade produtiva aumentada.

2. COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

 A coleta de resíduos sólidos domiciliares, ou popularmente conhecida como coleta de lixo, e aqui neste trabalho tratada simplesmente como coleta, apresenta vários desafios para os gestores públicos que em muitos casos terceirizam os serviços, através de licitações sejam na modalidade de concessão ou não. Quando terceirizados esse serviço – de coleta – apresenta uma exigência ainda maior, tendo em vista que o montante público mensal destinado a esses serviços é da cifra dos milhões.

A coleta apresenta peculiaridades únicas, não vistas em outros setores produtivos, pois é uma atividade produtiva que foge aos olhos dos seus gestores durante o processo, ao contrário de uma indústria que está concentrada em um espaço físico mensurável e de possível controle imediato.

            Quando um plano de coleta é elaborado, são percebidos os seguintes critérios:

                                     – número de bairros;

                                     – número de ruas;

                                     – se o bairro tem foco comercial;

                                     – população estimada daquele bairro;

                                     – tipo de calçamento;

                                     – distancia do ponto de descarregamento.

Os fatores acima elencados, servem para dimensionar setores de coleta, os quais uma cidade é dividida. Com os estudos desses fatores, os setores de coleta são dimensionados afim de fazer com que o peso coletado e a distância percorrida sejam aproximadamente iguais a todos os setores.

Com base neste levantamento de peso X distância percorrida, são observadas condições de vias para escolha de frota a ser utilizada e horário a ser realizada a coleta. Setores que possuem bairros comerciais, tendem a possuir coleta no horário noturno devido ao grande fluxo de veículos e munícipes.

Nas modalidades de coleta, podem ser citadas a conteinerizada traseira, conteinerizada lateralizada, residência – residência. Onde nas imagens a seguir pode-se observar exemplo dessas três modalidades.

A modalidade de coleta escolhida, impacta no número de integrantes de uma equipe de coleta. Setores onde a coleta é realizada de residência em residência, tem suas equipes compostas por no mínimo três coletores de lixo, na modalidade contêiner traseiro dois coletores e na lateralizada não são utilizados coletores.

No que tange a frota, as escolhas levam em conta autonomia do caminhão (km/l), capacidade de carga e resistência. Os dois fabricantes de caminhões que se sobressaem no Brasil são Volkswagen e Mercedes Benz. Podem ser citados ainda Ford e Volvo. Contudo devido a projeto desenvolvido em parceria com a Holding Solvi, líder da América Latina em coleta em processos de limpeza urbana, a Volkswagen dispara neste segmento, com caminhões mais adaptados à realidade de desgaste de motor, peças e outros fatores que diminuíram a vida útil de um veículo coletor.

Logo após a escolha da frota, o implemento a ser utilizado é escolhido. Este de não menos importância que o caminhão, em sua grande maioria é desenvolvido em parceria com os fabricantes dos veículos. O implemento citado, é conhecido como prensa e dispositivo de armazenamento.

 Logo após os processos administrativos para dimensionamento de setores e escolha de equipamentos, começam os estudos de viabilidade que comprovem que os setores foram dimensionados de forma a equilibrar a equação (peso coletado/distância percorrida).

3. TEORIA DAS FILAS

As filas estão presentes no nosso dia-a-dia, sejam nos comércios a varejo e atacado, no sistema bancário, ou seja, qualquer situação seja ela rotineira ou não, faz-se necessário esperar em algum momento.

Em síntese, um sistema de filas pode ser descrito como um processo onde hajam entradas e saídas, mas que para essas saídas ocorram, é necessário que as entradas passem por um determinado processo.

Neste sistema citado, exemplifica-se através do atendimento de clientes em um posto de combustível, onde ao chegarem na pista de serviços podem ser atendidos imediatamente ou não. Portanto a chegada do cliente na pista de serviço, seria a entrada; o abastecimento entende-se como o processo e a saída, a retirada do cliente com seu veículo da pista de serviços.

 A teoria das filas, através de analises matemáticas, é um ramo da probabilidade, que estuda a formação das filas.

O principal motivo de estudo das filas, é a optimização do sistema, que se caracteriza pela melhor utilização dos recursos que se disponibiliza, maior rapidez no processo e consequentemente menor tempo de espera em uma fila. Com isso garante-se a execução de modo que a satisfação do cliente com o tempo de espera seja a melhor possível.

 Lembra-se que o cliente pode ser entendido como matéria prima, a fila como o tempo de espera no silo / tanque ou outra forma de armazenagem, o serviço ou atendimento como o processo de industrialização e a saída como o produto manufaturado.

4. TEORIA DAS FILAS X RESÍDUOS SÓLIDOS

Neste tópico do trabalho, será abordada coleta de lixo sob a luz da teoria das filas, onde a observação de dados dos doze meses do ano de 2014, em uma cidade com aproximadamente 200 mil habitantes. Aplicando os atores da teoria das filas, a coleta de resíduos, encontramos os seguintes personagens:

Os dados mensais apresentados, foram todos multiplicados por um fator que não alterou as proporções a fim de manter em sigilo os dados do prestador de serviço.

Neste estudo levou-se em consideração a coleta de resíduos em 12 setores, que operavam todos no mesmo turno de trabalho –  matutino / vespertino.

Os gargalos operacionais na coleta, ao longo de um ano são observados no advento do verão e no seu desenrolar, com alterações pontuais, mas não significativas ao ponto de criarem gargalos.

Inúmeros fatores podem gerar gargalos, mas ficam mais evidente dois motivos em especial: primeiramente o acréscimo populacional por serem dados de um município que possui praia e o segundo fator e não menos importante o acréscimo de consumo gerado pelos pagamentos de férias e décimos terceiros, que aumentam o poder de compra do munícipe.

Retornando aos dados do ano em questão pelo estudo, observamos que outros dados se fazem de importância para que os gargalos sejam comprovados. Nesses dados que servem para corroborarem os gargalos, cita-se as horas consumidas na operação.

5. CONCLUSÃO

Após o tratamento estatístico dos dados de coleta de resíduos sólidos domiciliares – tonelada/mês – para o ano de 2014, através da teoria das filas, observou-se que os gargalos operacionais são uma constante no período compreendido nos meses de verão.

Essa analise serve para corroborar, que ações devem ser tomadas, para garantir a eficiência do processo e satisfação do cliente.

Dentre as ações tomadas pode ser evidenciado o aumento de horas trabalhadas, tendo em vista que a média diária de resíduos acumulados supera a capacidade instalada da empresa em estudo. Essa medida é uma, dentre várias que poderiam ser tomadas, mas que apresentou a melhor relação custo X benefício.

Fonte: administradores.com